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O Fenómeno da Noite Escura

Written By Cláudia Rocha on 25 de janeiro de 2018 | 10:22:00



No processo de iluminação, despimo-nos de camadas daquilo que achamos que somos. 

Uma a uma, vamos retirando partes que já não nos servem, ilusões do ego. Vamo-nos libertando aos poucos da imagem que tínhamos de nós mesmos, que descobrimos que afinal foi criada pelo ambiente e circunstâncias em que vivemos.

O que resta quando a imagem se desvanece? Escuridão. Medo. Insegurança. Uma sensação de vazio que parece incurável.


O medo é sempre o que nos mantém presos, num impasse que bloqueia qualquer movimento em frente. Ao mesmo tempo, é ele que acorda, nos dá um abanão para aquilo que precisa ser curado. A cura interna é a chave para dissipar o medo, entendendo que este é uma ilusão.



Há vários tipos de medo, mas neste post quero abordar o medo da morte do ego. 

O ego é uma parte de nós, um molde que foi formado por tudo aquilo que nos disseram que somos. É uma entidade, uma personalidade própria. É o véu que nos impede de ver a verdadeira essência - o espírito, a luz, o amor incondicional.

Porque nascemos neste corpo, neste planeta, temos que nos "vestir" de algo para nos sentirmos humanos, integrados na sociedade. A sociedade está em constante evolução, tal como o indivíduo. O problema reside em confundir a nossa identidade com a identidade do coletivo. 

A confusão está em quem sou eu. De onde vêm estes pensamentos, ideias, opiniões? Quem sou eu, de facto? 


A chave está em não deixar que o que pensamos que somos se torne imutável, fixo. Sejamos moldáveis ao nosso próprio fluxo, sigamos o nosso coração, e não o que parece lógico apenas porque disseram que assim o é.



O ego morre de medo de desaparecer.

Se pensar bem, os momentos em que tive medo não foram devido a algo que aconteceu, mas de algo que poderia acontecer, e como eu iria ser depois disso.


E se corresse mal? Eu poderia tornar-me azeda e triste.
E se corresse bem? Eu poderia perder a minha identidade para agradar aos outros.

Estes eram os meus medos antes de começar uma nova experiência na minha vida, que abalou o meu mundo e me tirou da zona de conforto. Fez-me considerar o poder de viver o agora em vez de me preocupar tanto. Ensinou-me a olhar para pessoas em vez da ideia do que deve ser uma pessoa. Fez-me enfrentar os meus medos e descobrir que eles não existiam, e assim se evaporaram.



Ainda tenho medos, apesar de não serem tão grandes e realistas como os que tinha antes de ter esta experiência. Agora, são como pequenos incómodos, que desaparecem sem esforço quando decido reconectar-me com a minha essência.

Tinha medo de perder a minha identidade, que foi formada com tanto cuidado com o passar dos anos, dos traumas, das histórias maravilhosas e das pessoas que fui conhecendo. Tinha preconceito quanto a emigrar, ir para um país muito diferente do meu, conhecer pessoas de todo o lado, e esquecer quem eu era.

Aqui, passei momentos de pura diversão e companheirismo, mas também momentos de aguda tristeza e angústia. Aprendi a ver os momentos menos bons passar, para que a lição fosse absorvida e eu fosse mera observadora das ilusões do ego, do seu medo de morrer.

A personalidade que eu deveria ter, a pessoa importante (aos olhos da sociedade) que deveria ser. Aquilo que me diziam que deveria fazer. Tudo isso, a ser dissolvido com o aprendizado de viver as experiências em que o Universo me colocou, como resposta à minha fome do novo, do profundo e de conhecer pelos meus próprios olhos.



Pensava que ia ser difícil, e enquanto deixei a tristeza dominar-me realmente foi.



"A noite era apenas uma parte do dia. E assim como se sentia protegida pela luz, podia se sentir protegida pelas trevas. As trevas faziam com que ela invocasse aquela presença protetora. Precisava confiar nela. E essa confiança se chamava Fé. Ninguém jamais poderia entender a Fé. A Fé era exatamente aquilo que estava experimentando agora, um mergulho sem explicação numa noite escura como aquela. Existia apenas porque se acreditava nela. Assim como os milagres também não tinham qualquer explicação, mas aconteciam para quem acreditava em milagres."

Brida, Paulo Coelho



A tristeza é apenas uma parte da vida, de sermos humanos nesta experiência contrastante. Existem momentos menos bons para nos mostrar que tudo é uma questão de escolha. As experiências menos confortáveis e rotineiras são o abanão que precisamos para voltarmos ao foco no que realmente importa para nós, e como podemos ser melhores em vez de sermos o que nos disseram para ser.

Há pessoas que sobreviveram a tudo, existem as mais diversas histórias, e tudo o que elas nos mostram é isto: eu mergulhei na noite escura, e sobrevivi. Senti uma intensa tristeza e vontade de ter uma resposta naquele momento, mas em determinado momento decidi confiar na presença protetora, porque não tinha outra hipótese. E segui em frente, apesar da dor.

Temos sempre a escolha de ver o que queremos ver. Neste universo físico de contraste, de diversidade, tudo existe. Mas apenas fica aquilo a que decidimos dar a nossa atenção.


Os curandeiros vêem a dor, mas apenas têm a habilidade de curar porque transcendem o que é visível e óbvio, o que é real fisicamente. Transcendem e transformam, porque conseguem aceder à consciência do essencial, do que realmente importa e é eterno. O amor, a luz, a verdade.

Cláudia

2 comentários:

  1. Me emocionei demais. É a minha história de vida nessa reencarnação. Chorei muito, processo de cura. Gratidão 🙏❤️

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    Respostas
    1. Muita força, Cris! Lágrimas libertam :) Beijos e good vibes,

      Cláudia

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