Obrigada a Todas as Pessoas que me Ignoraram, Maltrataram ou Odiaram

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Quando me perco em pensamentos tóxicos, que me sufocam e abafavam o progresso para aquilo que realmente mereço, normalmente o assunto é sempre o mesmo: pessoas.


Pessoas boas, pessoas más. Será que existe uma definição, será que vale a pena escrutinar comportamentos, analisar situações que aconteceram e refletir no porquê? Será que as pessoas fazem sentido de todo?

Sim, eu sei que tudo o que me acontece vem da minha própria energia, e que até aquilo que vejo de longe reflete uma parte de mim, e apenas poderei mudar-me para mudar os resultados externos.

Um dos meus hobbies é dissecar pessoas. É pegar numa cobaia para a minha mente se entreter e refletir horas a fio sobre o porquê dela ser assim. 




Ou normalmente são várias ao mesmo tempo.

Quem me conhece, mal faz ideia o quanto eu fiquei a pensar na sua pessoa, a examinar a fundo tal e qual uma cientista faminta de respostas, o porquê das suas atitudes, e cada detalhe da sua essência.

Tenho a certeza que passei tanto tempo a analisar-me individualmente tanto quanto analisei os outros. Imaginem só...

O autoconhecimento foi o caminho para a minha Iluminação. As respostas vieram quando pensei nos outros como um resultado de mim, e para que melhorasse o Mundo tinha de me melhorar a mim mesma.


Eu estou começando com o homem no espelho
Estou pedindo a ele para mudar seus modos
E nenhuma mensagem poderia ser mais clara
Se você quer fazer do mundo um lugar melhor
Dê uma olhada em si mesmo e então faça uma mudança

Michael Jackson, Man in the Mirror



O meu caminho começou quando olhei pela primeira vez e deixei de me sentir feliz, mais ou menos no início da minha adolescência.


As pessoas pareciam cruéis, amargas, dececionadas com a vida. Talvez fossem o reflexo da minha própria desilusão, do desmoronar das expectativas que tinha para o futuro.


Quando comecei a sofrer bullying cheguei mesmo a odiar as pessoas, e a desistir de entendê-las e ficar em paz com a sua maneira de ser. Nessa altura, nem eu me aceitava como era.



Piorou, no início da minha idade adulta, quando perdi por completo o interesse por me integrar. Achava que vivia numa sociedade doente, sem valores e sem essência. A espiritualidade ensinou-me a procurá-la dentro de mim, e a ser a mudança que queria ver no Mundo.



Porém, no sentido prático, isso passava por ter de conviver com todas as pessoas, e amá-las tal e qual como elas são.

E assim me encontro, nesta jornada interior de tentar amar as pessoas independentemente do que elas façam. Quando digo pessoas, falo na Humanidade em geral.


Eu sei que todos temos uma essência espiritual, e que com o passar do tempo nos esquecemos dela, e perdemos a noção de que criamos a nossa realidade a partir de dentro, da beleza do nosso mundo interno.



E tenho consciência de que a maior parte do Mundo está adormecido quanto a essa essência, e que para encontrá-la precisa de ajuda, acima de tudo a sua própria ajuda. Para isso, devemos encorajar-nos mutuamente, apoiar-nos e amar-nos incondicionalmente agora mais do que nunca.

Vou aprendendo a não me revoltar tanto com o Mundo e as pessoas, pois entendo que o acordar coletivo é inevitável, assim como foi o meu próprio. Acordei hoje mais uma vez, para entender que não vale a pena tentar entender as pessoas e cada pequena razão para as suas ações.



Não vale a pena entender porque elas próprias não entendem, mas um dia vão entender. Um dia, todos nós despertamos para o nosso verdadeiro propósito e para aquilo que importa, e que as coisas mais simples e que nos fazem mais felizes estão acima de qualquer futilidade.






Escrevo esta "carta", este relato da minha epifania, como um agradecimento.

Eu nunca teria conseguido chegar a estas conclusões sem todas as pessoas que analisei de perto. Cada indivíduo complexo, confuso e cheio de detalhes - especialmente os mais irritantes, ah, esses aí foram os mais importantes para o meu desenvolvimento - foi parte integrante do meu caminho para a iluminação, para a melhoria do meu mundo interno.




As pessoas que me trataram mal, desprezaram por completo ou desiludiram pela sua maneira de ser, foram a razão mais fundamental para a minha perspetiva renovada do Mundo e da vida. Sem vocês a incomodarem-me, nunca teria encontrado tanta paz. Sem as minhas noites sem dormir a tentar analisar o vosso comportamento, nunca teria melhorado cada detalhe da minha personalidade.


Por me terem ignorado, obrigada, porque assim tive mais tempo para me dar atenção.
Por me terem abandonado, obrigada, porque passei a amar a minha própria companhia.
Por me terem irritado, obrigada, porque aprendi a levar a paz comigo até nos momentos de maior caos.

A todas as pessoas no meu caminho agradeço, mas especialmente as que me fizeram sentir mal. Catapultaram-me para uma perspetiva completamente nova, e por isso agradeço.


Cláudia

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