Por Treze Razões e O Efeito Borboleta: Cada Ação tem uma Reação

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Acabei de ver a série "Por Treze Razões" (em inglês, Thirteen Reasons Why), e decidi escrever um artigo sobre o que senti enquanto vi os episódios.

Primeiro de tudo, fiquei extremamente sensibilizada com a maneira como a história se desenrolava, e entendi com clareza a mensagem que desejava transmitir. Num episódio em particular, a personagem principal, Hannah Baker, fala sobre isso mesmo: "uma borboleta, do outro lado do mundo, pode causar um tornado, se bater as asas no lugar certo, na velocidade certa e no momento certo."

Qual a relação que esta expressão tem com a experiência pela qual Hannah passou?

Tudo.


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O efeito borboleta simboliza a bola de neve que começa com um acontecimento que à primeira vista parece pequeno e insignificante, mas por se ter sucedido naquele momento, fez toda a diferença. No caso de Hannah, o "princípio do fim" foi no começo do liceu, quando Justin Foley é responsável por fazer circular uma foto de ambos, espalhando rumores de que se tratava de um ato sexual, quando não o era.

Estes casos de rumores que denigrem a imagem de mulheres jovens, reduzindo-as a objetos, causa um grande impacto na sua personalidade, e claro na sua reputação. Dependendo da gravidade do rumor, pode destruir completamente toda a sua vida escolar, e diminuir a auto-confiança e a imagem que tem da sua feminilidade.

O que considero mais relevante na série é esta retratar a realidade dos adolescentes, e como coisas que parecem insignificantes para os adultos significam o mundo para os jovens. 


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Porque quando estamos na adolescência, ainda estamos a aprender, e nesses momentos de aprendizagem, parece que as experiências pelas quais passamos vão definir toda a nossa vida. Não só pela escolha da área de estudo que determinará a profissão que vamos ter no futuro, mas também coisas como o primeiro beijo, a primeira relação sexual, o grupo de amigos que fazemos no liceu.

Esse tipo de primeiras experiências são determinantes na maneira como a pessoa que as vive vai encarar a vida e a si mesma. Por exemplo, como vê o amor e relacionamentos.

Porque uma coisa é olharmos para o amor dos nossos pais, que já passaram por todos os "primeiros" da vida amorosa, e outra coisa é um adolescente, com 16 anos e que tem apenas experiências que lhe confirmam que os homens/mulheres são todo/as iguais.

Na série está presente o machismo, e as consequências dele nos adolescentes. À primeira vista pode-se pensar que o machismo não existe nos liceus, porque, afinal "são só miúdos" e não passa tudo de uma brincadeira.


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Mas mesmo que um ato de abuso sexual seja visto pelo agressor como só uma brincadeira, e mesmo que se trate de um menor, continua a ser um crime e uma experiência traumática para a pessoa que o sofre.

A cultura machista exposta aos adolescentes que ainda estão a aprender, faz com que pensem que se aproveitar de uma mulher é "normal", e que quanto mais o fizer, mais popular e macho será.

Outra coisa que achei bem marcante na história foi o sofrimento da solidão, e que há vários tipos de solidão - mas a pior delas é a que resulta de ser ignorado.

Ignorarem a nossa dor num momento de ajuda, a nossa amizade, as nossas vontades - tudo isso nos faz sentir solitários. É um acumular de experiências que parece confirmar que nascemos para ser sós

Ser invisível é a pior solidão que existe, e traz dores ainda mais sentidas na época do liceu - altura em que os grupos se começam a formar e quem não pertencer a nenhum é automaticamente excluído.

O alerta que a série nos dá é que as pessoas que mais sofrem são aquelas que menos demonstram, porque a pior dor é quando a pessoa já não sente nada, pois de tanto tentar encaixar-se, desistiu e já não sente vontade de viver. 

A sua dor foi sedada e automaticamente sabe que se tentar de novo, será em vão.

Por isso é que há tantos preconceitos sobre aquilo que é ter uma depressão, e muita gente acha que alguém deprimido é alguém que chora pelos cantos e grita ao mundo o quanto sofre. 

Mas as pessoas que estão mesmo no fundo do poço são aquelas que já não sentem nada - nem ânimo, nem vontade de fazer o que gostam, e já não há chama, não há sentimento.

Este estado de dor é o nível mais preocupante, e que necessita de maior apoio e orientação - seja de um profissional, dos pais, de entes queridos, de amigos. Porque a pessoa já não sabe onde se virar e não faz ideia de como se ajudar a si mesma, nem pensa que isso é possível.

Se não forem orientadas ou alguém notar que precisam de ajuda, chegam mesmo ao ponto de querer tirar a sua própria vida. 

Por isso, a conclusão a que cheguei, é que cada ajuda conta. Pessoas más sempre existirão no Mundo, e cabe a cada um ser a melhor versão que conseguir ser, porque é com a vida (e com séries como esta) que aprendemos o valor de sermos pessoas melhores.

Mas sendo conscientes de que alguém precisa de ajuda, e não julgarmos a pessoa por se sentir triste, angustiada e sem vontade de viver, mostramos-lhe que não há nada de errado em sentir-se assim, e que é apenas uma fase que vai passar, e há várias maneiras de fazê-la passar mais rápido.

Infelizmente, muitos já tiraram a própria vida porque não se sentiram ouvidos e achavam que não faziam falta no Mundo. Mas aqueles que já se sentiram mortos por dentro e decidiram renascer, um passo de cada vez, são os exemplos que inspiram aqueles que se sentem mal agora. Ser um exemplo e ajudar sem julgar os que sofrem é a melhor maneira de previnir o suicídio.

Cláudia

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