Precisamos de um Santuário

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Há uma música dos Beatles chamada "There's a Place", em que John Lennon canta sobre o lugar onde sempre pode ir quando se sente em baixo. A meio da canção, ele revela que não é um lugar físico, que se pode ver e tocar, mas a sua própria mente.

There's a place
Where I can go
When I feel low
When I feel blue
And it's my mind
And there's no time when I'm alone


Isto faz bastante sentido, visto as pessoas acharem que o alento para os seus problemas esteja mais num lugar confortável, numa pessoa ou substância, do que na sua própria mente - aliás, foi ela a causa dos seus problemas em primeiro lugar.

Tudo começa na mente. Esta é a causa de tudo na nossa vida: tanto a criação dos monstros como das bênçãos - temos ilimitada capacidade e na maioria das vezes nem temos consciência disso.

Também não nos podemos esquecer do poder dos sentimentos. O tom de cada momento é criado, também, por nós, e é o que reveste cada fase de boa ou má. Por isso, não são as circunstâncias que nos causam determinada emoção, mas nós que criamos o tom dentro de nós e as circunstâncias que condizem com essa frequência vêm até nós.

No que toca à minha própria experiência, posso dizer que ser consciente das minhas emoções dá trabalho. É chato saber que quando algo negativo acontece, eu tenho toda a culpa, e não as pessoas azedas que encontro no caminho, ou os azares que parecem ter sido fruto do acaso - foi tudo eu!

O orgulho é um vício humano do qual todos sofremos. Dizer que estamos errados e que criámos os problemas na nossa vida é difícil, porque parece que estamos a abrir a porta aos outros para os nossos defeitos e dar-lhes o direito para nos criticarem. 

Nós podemos criticar-nos à vontade, mas quando os outros o fazem sentimo-nos verdadeiramente ofendidos, porque na nossa essência temos a certeza que somos dignos e merecedores de tudo o que queremos.


Longe da confusão do externo, dos vícios humanos, das críticas e hipocrisias, onde encontramos alento? Em nós. De volta a nós, às vozes na nossa cabeça, aos nossos velhos hábitos de pensamento, encontramos a calma. É preciso muita coragem para começar, e força para continuar.

Mas sermos conscientes de nós mesmos, como uma extensão corporal do espírito, uma entidade individual que faz parte de um Todo infinito e eterno, dá um poder que não dá para explicar. Só sentindo poderemos usá-lo a nosso favor.

Por isso é que dizem que a Lei da Atração não resulta. Mestres, palestras, vídeos, entrevistas, de pessoas que já viveram esse poder e expuseram os resultados materiais deste, não conseguiram ajudar muitas pessoas porque elas nunca se esforçaram realmente para encontrarem esse poder dentro delas, e não nos ensinamentos externos.

O poder está em nós e na nossa mente. Encontrando-o e experimentando-o pela primeira vez, não vai necessariamente dar-nos a casa e o carro dos nossos sonhos, mas pode muito bem dar o poder de encontrar a calma no meio do caos, físico e psicológico.


Pode dar-nos a capacidade de dizer não a situações que não nos agradam, e a coragem de selecionar o que preferimos. E é tão natural que nos perguntamos porque não o fizemos antes!

A resposta é: porque não tomámos o tempo para encontrarmos o nosso santuário. E todos precisamos de um, agora mais do que nunca.

Agora, com o nosso vício de pensar e observar mais alimentado que alguma outra altura da História, precisamos de pensar em nada e observar-nos a nós mesmos.

Com o burburinho das redes sociais, do trabalho e estudos em excesso, da necessidade de falar apenas para preencher o silêncio, precisamos treinar a coragem de não dizer nada para ouvir o que a nossa mente diz, e sentir o poder da nossa existência.

Encontra o teu santuário no silêncio, num quarto confortável, num ritual durante alguns minutos, numa conversa contigo mesmo antes de dormir, numa meditação guiada, qualquer coisa. O que quer que te agrade pensar em fazer, fá-lo. 

Precisamos agora mais do que nunca, de nos relembrarmos do nosso propósito e de quem somos. Começa agora. A única pergunta que resta é: onde encontras o teu santuário?

Cláudia






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