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O Culto do Blablabla e Porque Falar Demais é Sobrevalorizado

Written By Cláudia Rocha on 8 de dezembro de 2016 | 13:33:00

Ah, seria tão bom se todos soubessem a magia do silêncio. Se deixassem de etiquetar os calados como "tímidos" e "envergonhados" e descobrissem a verdadeira razão da sua ausência de palavras. Não falamos tanto quanto os outros porque não sentimos a necessidade de fazê-lo. Não nos sentimos melhor a socializar, mas a internalizar.


~


A diferença entre introvertidos e extrovertidos é onde restabelecem as energias. Os extrovertidos sentem-se mais vivos exteriorizando, expondo, falando com os outros. Os introvertidos encontram alento na solitude (não confundir com solidão) e nos seus próprios pensamentos.

Isto não torna um melhor que o outro. Aliás, na minha opinião o melhor a fazer é encontrar um equilíbrio entre as duas atitudes, explorando cada perspetiva e experimentando coisas diferentes. Nunca há alguém 100% introvertido ou extrovertido. Assim, os rótulos são desnecessários e limitam o conhecimento total da pessoa, em todas as suas dimensões.

Não sou apologista da chamada zona de conforto porque a mudança é sempre a ação mais confortável: nós somos mudança constante, e quanto mais a resistirmos mais esta nos vai puxar para ela. Se antes apenas passávamos tempo sozinhos, agora queremos ver como é conviver mais com os outros - a experiência do novo é o que nos faz crescer.

Isto também não torna o extrovertido mais sociável. Alguém que é aprovado pelos outros não é alguém mais digno e qualificado de interagir, mas alguém que encontra mais felicidade ao estar com os outros, do que estando sozinho.

Porém, não nos podemos esquecer da importância do amor próprio e da auto-descoberta, mudanças essenciais no nosso desenvolvimento que apenas podemos explorar através da solitude. Isto porque, ao estarmos com outras pessoas, estamos mais concentrados no que está a acontecer do que naquilo que estamos a pensar e sentir, quase como se não tivéssemos tempo de nos auto-analisar.

Oscar Wilde frisou a importância de estar sozinho nesta frase:
 “Eu acredito que é muito saudável passar um tempo sozinho. É preciso saber ficar só para não ser definido por outra pessoa”.

Um dos riscos de passarmos demasiado tempo com outras pessoas é sermos definidos por elas. Isto porque o ser humano tem um grande vício que é deixar-se influenciar emocionalmente pelas condições: o que está a acontecer é a razão daquilo que estou a sentir. 

Se estamos com alguém que nos considera inferiores ou nos julga de alguma maneira, corremos o risco de absorver a sua opinião e duvidarmos das nossas qualidades. Isto é totalmente normal, porque nos questionamos o tempo todo. Porém, devemos aprender com isso e seguir em frente, em vez de dar mais credibilidade ao outro do que a nós mesmos.


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Não apenas a solitude é crucial para o nosso desenvolvimento: o silêncio também. Enquanto o convívio em demasia nos impede de fazer uma auto-análise para ponderarmos quem somos e o que queremos, falar em demasia abafa os nossos pensamentos.

Todos conhecemos mais de uma mão-cheia de pessoas que fala demais. Devo confessar que tento o meu melhor para tolerar essas pessoas, entender o seu lado e conviver de forma harmoniosa com elas. Pior ainda, é quando nos interrompem. Quando passamos minutos, às vezes horas a fio a ouvir as suas histórias sem fim, e finalmente temos um bocadinho de silêncio e podemos responder - e elas não nos deixam!

Estas pessoas têm um sério problema de falta de empatia. Toda a gente gosta de falar, especialmente quando tem algo a dizer. As palavras faladas dão-nos clareza e relembram-nos do que já sabemos de forma assertiva. Mas também gostamos de ouvir, porque não é ao expormos o que pensamos que vamos aprender algo de novo, mas ouvindo a outra pessoa, entendendo a sua perspetiva.

Mais uma vez, deve haver aqui um equilíbrio! Ouvir e falar, porque ambos são saudáveis e ambos nos fazem crescer.

Quando alguém não fala de todo ou quando fala demais, possui sérios desajustes dentro de si. 

Hoje em dia há uma espécie de culto da fala. As pessoas acham que se falarem mais, são mais corretas, e a sua opinião é mais válida, porque estão a ser assertivas, sem medo.

Ou seja, o silêncio é visto como um sinal de medo! Mas não é, porque não somos obrigados a procurar aprovação dos outros para aquilo que pensamos e sentimos! 

Estou aqui para vos dizer que há uma grande magia no silêncio. E na fala também. Se tomamos um tempo para ouvir alguém com uma opinião diferente da nossa, aprendemos mais, chegamos às nossas conclusões, e exercitamos a empatia e a paz. A pessoa que nos fala sente paz, porque estamos a ouvi-la, não porque queremos responder, mas porque estamos interessados no que ela tem a dizer.

Se tomamos um tempo para falar sobre o que sentimos, para contar as nossas ideias e visões a alguém que sabemos que nos quer ouvir, sentimo-nos mais vivos, inspirados, porque sabemos que o que estamos a dizer é importante para nós, e partilhá-lo com outra pessoa é entusiasmante.

~


É um processo contínuo: se passamos algum tempo sozinhos a descobrirmos mais sobre nós e aquilo em que acreditamos, sentimo-nos inspirados. Ao nos sentirmos inspirados, queremos dizer aos outros o que sentimos. Ao dizermos, podemos saber a sua opinião e perspetiva diferente sobre o mesmo assunto. Com a sua perspetiva diferente, aprendemos mais, e temos mais sobre o que ponderar. Ao ter mais sobre o que pensar, passamos mais algum tempo sozinhos.


É um ciclo de crescimento e mudança, causada pelo equilíbrio entre solitude e silêncio, e convívio e diálogo! 

Por isso, peço às pessoas que falam demais: experimentem a magia do silêncio e da solitude. Assim, vão poder aprender mais e melhorar a qualidade do vosso convívio.



Com amor,
Cláudia









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