Letargia...Quando Estamos Cansados de Viver

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Letargia. Um estado de fadiga, falta de motivação, apatia. No fundo, é estar cansado de viver. Vejo-me a entrar neste estado, uma e outra vez. Sou um constante ciclo de otimismo, entusiasmo e, por fim, cansaço. É como deixar cair a toalha: "Ok Mundo, ganhaste." É a opinião dos outros sobrepor a minha, os acontecimentos aborrecidos dominarem a minha vibração, as conversas negativas convencerem-me. Parece a sociedade a impor-se contra a minha perspetiva.


Este estado não é um alerta para eu "acordar para a realidade". É a minha reação a ela, e à impotência que sinto face às condições que parecem tão grandes. Mas não são - temos o poder de mudar a nossa vida, e somos nós que a criamos, cada circunstância.

Posso dizer com convicção que sou livre de problemas graves. A minha vida é muito boa, admito. Quem calçasse os meus sapatos perceberia o quão ingrata sou de tempos em tempos. Mas sou humana, por isso, há sempre algo mais que pode melhorar. Há maneiras de eu ter uma vida ainda melhor, e o facto de eu não saber como controlar os acontecimentos JÁ, é frustrante.

Porque é que às vezes desejo controlar os acontecimentos? Para provar o meu ponto. Para cessar as reclamações e julgamentos dos outros. Ouvir cansa. Os outros quererem que mudemos a nossa opinião é desgastante. Às vezes queremos ter a vida que amamos só para provar aos outros que conseguimos, para que se calem finalmente.

Mas há toda uma viagem a ser saboreada. Até as reclamações dos outros são úteis, para assim aprendermos a nos sentirmos bem mesmo quando os outros não concordam com o que fazemos.


Vou-vos falar um pouco da minha história.

Há mais de um ano atrás, tomei a decisão que queria deixar de estudar. Não fazia ideia do que ia fazer. Pouco depois conheci o meu namorado, e decidi que ia viver com ele. Não fazia ideia de como isso ia correr, mas mergulhei de cabeça, porque tinha a certeza que ia ficar bem. Era o que o meu coração desejava.

Claro que estas decisões arrasaram com os meus pais. Com os meus amigos também. Para eles, eu era louca, estava fora de mim. Mas foi a decisão que tomei, sem racionalizar, medir prós e contras. Porque para mim, tomar uma decisão não é um processo racional, mas intuitivo. Aliás, todas as ações que tomo partem de como me sinto naquele momento.

Mas só eu posso sentir as minhas emoções, e mudá-las deliberadamente. Mais ninguém pode compreender exatamente o que se passa dentro de mim, e as razões para isso. Por eu ser tão difícil de compreender, as pessoas frustram-se e supõem coisas acerca de mim.

E por isso às vezes fico cansada. Por não tomar o tempo para me reassegurar que está tudo bem, e que eu estou a seguir a minha vida como o meu coração manda, deixo "tempo de antena" para aquilo que os outros pensam. É como se fosse um recetor de vibrações alheias. Não dá para eliminar a negatividade do Mundo.

Também há cerca de um ano atrás, publiquei um livro chamado "Deixando a Luz Entrar", que falou da minha jornada emocional desde uma depressão até à felicidade. Quando tinha a doença, não me lembrava o que era ser feliz, sentir-me bem. Era permanentemente letárgica. Sentia que estava há demasiado tempo nesta frequência e estava cansada.

Agora que sei o que a Felicidade é, e que esse É o meu estado normal, não é nada confortável para mim ouvir os outros me dizerem que estou errada, que estou louca. Antes, deixei esse cansaço criar raízes e prender-me ao solo, mas agora que sei que posso voar, não quero outra coisa.

Por isso dedico este post a todos os corajosos. Aqueles que vêem a imagem alargada, e sabem que a vida é mais do que as regras que nos impõem, e criaram a sua própria imagem de Felicidade. Há alturas em que estamos cansados de viver, porque nunca houve na Terra tanto contraste, tanta diversidade. Cabe-nos escolher o nosso próprio caminho e ter a força para ignorar as sombras no caminho.

Com amor,
Cláudia


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