Ler é Comida Para a Alma

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Ah, viajar sem sair do sítio. Ir sem tirar os pés do chão. A importância de ler só é entendida quando vivida – apenas quando praticamos a leitura regular somos cientes do impacto que esta tem na nossa vida.


Tenho praticado a gratidão, e ler é uma das coisas pelas quais sou grata: a quantidade de livros que existe, mas não apenas livros – blogues, sites, revistas, jornais, pequenos textos aqui e ali que nos marcam sem qualquer razão racional.

Uma vez estava a andar para a Faculdade quando tive o impulso de reparar em graffitis ao longo do caminho. Estes eram conjuntos de frases que, lidos enquanto se caminhava, formavam um poema. Este poema era o “Invictus”, de Henley.

Primeiro, parei e li, em grandes letras: “I am the master of my fate”. Andei um pouco, estonteada, e deparei-me com “I am the captain of my soul”. Nos dias seguintes, reparei que o resto do poema se encontrava nas paredes anteriores àquelas, e que tudo junto formava o famoso poema.

Parecia um sinal do Universo. Uma declaração arrojada, corajosa, como quem grita: EU SOU O MESTRE DO MEU DESTINO. EU SOU O CAPITÃO DA MINHA ALMA.

Parecia que algo me estava a chamar para aquilo que eu sempre soube. Com esta experiência tive ainda mais a convicção de que “palavras e ideias podem mudar o Mundo.”


Senti-me inspirada.

Sempre que leio, sinto-me inspirada.

Em cada livro há uma conclusão – grande, brilhante, reluzente e destacando-se de tudo o que eu já tinha aprendido antes. Pode ser uma mensagem não tão positiva, mas é verdadeira porque o autor deu-me todas as razões e argumentos para me mostrar que, para ele, é real.

Quando estamos prestes a tomar uma decisão, na verdade ela já estava tomada. O futuro está decidido pela Força Maior (Universo, Deus, etc). O que realmente interessa é o PORQUÊ da decisão – e é exatamente esta premissa que os livros nos mostram.

De que é que interessa o final? O que interessa são todos os acontecimentos, motivos, epifanias que estão pelo caminho. Talvez nunca tenha havido a intenção de chegar a uma conclusão específica, mas quando se chega ao final entendemos realmente o porquê de tudo o que estava antes.

Ah, a beleza das páginas em branco. Todas as páginas que eram o convite para o escritor executar a sua arte, o seu dom, sem resguardos ou limitações da sociedade da época.

Forma-se a página recheada de letras, frases e metáforas, e sem sequer se aperceber chega-se à seguinte, e assim se cria um livro. Uma corrente impecável de pensamento, de fluir da inspiração.


Os leitores são famintos por esta expressão da inspiração, e sentem-se satisfeitos quando acabam de ler, porque é comida para a alma. A alma precisa de inspiração, porque não é de conquistas materiais que é feita a vida. Há que ter energia para criar a arte da vida, e cada momento deve ser pura poesia.

Cláudia

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