O que Significa Quando Não Sentes Nada?

by - 14:25:00



Costumava sentir muita tristeza, muita revolta, muita incerteza. Era uma tempestade em pessoa, e parecia ter sempre uma nuvem cinzenta sobre mim.



Isso era antes, pois quando tive a epifania da minha vida e descobri o meu propósito, senti alegria extrema, o nirvana, entusiasmo. Estava num estado de positividade. 


Porém, qualquer pequena coisa negativa fazia-me derramar lágrimas. Porquê? Porque sentia muito. 


As minhas emoções estavam à flor da pele. Queria muito as coisas e era impaciente a tentar descobrir respostas e soluções. Tentava obrigar a que o caminho se mostrasse para mim.

Agora, sei que tudo cabe a mim. E isso é libertador, saber que sou a responsável pela minha experiência, e que a chave é relaxar.

Por isso, relaxei. As coisas que queria com menos intensidade manifestaram-se. Parecia terem estado à minha espera de abrir uma brecha por mais pequena que fosse para entrarem na minha vida. 

Tentei fazer o mesmo com as coisas que mais queria, deixá-las ser, não tentar. E aqui me encontro.

No olho do furacão, entre realidade e desejo de melhoria.

No outro dia, adormeci. Fiz uma sesta, coisa que não faço com frequência. Quando acordei, não sentia nada. Senti-me um deserto de pensamento e emoção. O que é que isto significava?

Tentei reacender a chama, gritei: “Estou farta desta vida!” Ao afirmar isto, todo o meu corpo ficou tenso, mas, como um elástico, o relaxamento tomou conta dele de novo, e caí deitada no sofá. 

 Até que senti o impulso de mandar mensagem a uma amiga. (Ela é autora do Blog O Mundo é das Bem Amadas – recomendo vivamente que leiam!) Ela disse-me que isto é uma coisa muito boa.

As coisas podem desabar à nossa volta, porque, como nós estamos a mudar, todo o nosso mundo muda. E isto pode significar um período de caos no nosso ambiente. Mesmo assim, nós somos um mar de calmaria.
Porquê? Porque praticamos o pensamento positivo. Este pensamento é o natural, já que derivamos de energia positiva. Por isso, mentes Iluminadas tendem a parecer neutras numa situação problemática. 

Isto pode parecer algo prejudicial tanto para nós como para os outros, pode parecer uma coisa má na nossa vida – mas não é!

Helena disse-me que, mesmo quando ela perdeu coisas materiais, que não sentiu nada, porque praticou o desapego delas.

Ela poderia muito bem ter chorado, feito um drama como a maior parte das pessoas faz para ser bem vista pela sociedade (que valoriza as coisas materiais como prova do nosso sucesso na vida).

Mas não o fez. Porque a maior prova do nosso valor é o nosso património interno: as nossas emoções e pensamentos. Calma é uma emoção muito valiosa: é sinal de paz completa, o fechar de um ciclo. 

Quando mudamos de ciclo, a paz interior é sinal que a mudança vai ser fácil, gentil e fluída. Estamos a permitir a mudança vir, porque sabemos que fomos nós que a criámos!

Quando há um grande contraste entre onde estamos e onde queremos ir, a transformação pode ser chocante. Pode abalar expectativas de outras pessoas, pode até desmoronar impérios materiais.

Mas os grandes sábios sabem que cada onda lava e restaura a costa. Livramo-nos do que já não nos serve, limpando tudo, para dar lugar ao que o Universo nos traz.

E o Universo arranja sempre maneira. Por isso, devemos confiar, sem medo. Não sabemos o que nos reserva, mas sabemos que será para o melhor. A calma é uma virtude, e é dela que vêm as mais elevadas emoções e perspetivas.

Cláudia

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