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A Família Como Suporte da Nossa Individualidade

Written By Cláudia Rocha on 31 de julho de 2016 | 17:40:00



Como é que pessoas que partilham o mesmo ADN são tão diferentes umas das outras? Não deveria a genética ditar tendências iguais de personalidade?

Sempre me intrigou o tópico família. Eu, como "loba solitária" desde pequena, sempre tive muito enraizado o conceito de: amigos vão e voltam, mas a tua família está sempre lá. Tive poucos amigos, e todos eles se foram. Porém, a porta está sempre aberta para casa da minha mãe ou da minha avó.

Estas mulheres da minha vida sempre me ensinaram que, para o bem e para o mal, a família está sempre lá. Por muito casmurros que todos possam ficar por eu parecer ser a "ovelha negra" num rebanho branco e limpinho, caminhando na direção oposta, a cara feia apaga-se e dá lugar àquele sorriso de como quem diz: "deixa pra lá".

Ao mesmo tempo que o meu pequeno núcleo familiar me odiou por me amar, confortaram-me na minha miséria, e apoiaram-me na minha felicidade. E continuam a fazê-lo. 

Sempre disseram que o Mundo é cruel, mas que eu tenho de fazer parte dele porque estou aqui, e assim é a vida. Ao mesmo tempo, elogiam a minha coragem de ser diferente e não lutar para que os outros me compreendam.

E estas doces contradições são o que mostra que as pessoas que estão connosco desde que nascemos são aquelas que menos têm a ver connosco, porque é como um teste do Universo. Na verdade, é o maior teste da nossa vida.

O amor incondicional é aprendido com estes estranhos familiares. Estranhos porque nos dizem uma coisa e fazem outra, mas familiares porque o seu rosto e palavras estão sempre gravados na nossa memória. 

Há pessoas que reclamam mais do que eu da sua família, com traumas e passados fortes, membros da família que se foram embora como se fossem estranhos. Há maldade envolvida, discussões não-resolvidas, silêncio em tempo indeterminado.

Há também as pessoas que falam com carinho e uma ternura de vidro daqueles entes queridos que já se foram, e a cada palavra parece que um choro enorme vai começar. 

Mas o que elas e eu temos em comum é que estamos aqui, como extensão, prolongamento. Na verdade, a morte não existe, e a essência de alguém prolonga-se no infinito do Universo, como um eco que ninguém consegue ouvir.

Mas a personalidade de alguém, a maneira de ser, os trejeitos e missão de vida, são continuados num legado, no nosso legado. Eu sou assim por causa da minha família.

Não por causa de ouvir os conselhos deles, de copiar a sua experiência de vida, ou sequer por causa do meu código genético. Essas coisas não significam nada perto do que eles me ensinaram sem dizer: eu sou assim porque eles estão na minha vida, e como minha família vão estar para sempre.

Por serem muito críticos, ensinaram-me a lidar com a crítica.
Por serem reconfortantes na sua companhia, ensinaram-me a dar conforto mesmo sem dizer uma palavra.

Por todas as coisas que são e fazem, certas ou erradas, imprimiram em mim aquilo que quero para a minha vida, e a vontade insaciável de aprender como obtê-lo.

Por isso, às pessoas que consideram não ter toda a sua família consigo, ou considerá-la de alguma maneira defeituosa, aconselho pensarem duas vezes. Sem eles, tu não eras o que és (ou estás a aprender a ser).

Cláudia




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