A minha experiência na Faculdade

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Muita gente, especialmente os adolescentes e jovens adultos, não fazem ideia daquilo que querem seguir. Crescemos com a ambição de escolhermos um caminho, um ofício ao qual nos dedicaremos grande parte da nossa vida. Já durante a infância nos perguntam: "o que queres ser quando fores grande?" e cada um dá as suas respostas, de acordo com aquilo que mais gosta e os entusiasma.

Porém, à medida que vamos crescendo, essa resposta vai desvanecendo, não por nossa vontade mas por aquilo que ouvimos dos mais velhos. Perdemos a vontade de escolher o que queremos mesmo porque é muito difícil, ou porque na maior parte das hipóteses seria impossível.

Também há aqueles que sabem aquilo que querem e, mesmo que pareça impossível, continuam na teimosia de que o vão concretizar.

Eu sempre quis ser artista. Para mim os artistas são os heróis da sociedade. Numa altura quis ser cantora, noutra altura quis ser atriz, noutra não quis ser nada em específico. Mas o facto é que sempre gostei de escrever. O que todos os artistas têm em comum é a expressão libertina de uma ideia, uma causa...qualquer coisa. Basta expressarem-se para serem ouvidos, mesmo não sendo concordados.

Porém, quando cheguei à altura da faculdade, escolhi o curso menos artístico: o jornalismo. A minha média de 18,3 entusiasmava a todos à minha volta, menos a mim. Toda a gente com expectativas, a dizer-me que se me aplicasse num curso, mesmo um que não gostasse, iria ter sucesso. Mas nunca fui apologista de fazer algo que não gosto.

Assim que comecei, tentei seguir o que os outros me disseram, e senti-me entusiasmada pela novidade de tudo. Mas pouco tempo depois, percebi que, como em quase toda a minha vida, não estava enquadrada no meio que a minha faixa etária me exigia enquadrar. Os meus professores do secundário admiravam o meu talento e distinção em relação aos da minha turma, tendo até uma professora me pedido docemente que, para passar no Exame Nacional, tinha de ser "mais quadrada". Mas eu devo ser de um diferente formato, pois nunca encaixei nas fechaduras quadradas.

Os meus poucos meses na FLUP foram um fracasso. Chumbei a todas as cadeiras, mas senti-me grata. As minhas notas mostraram que havia algo de errado. A educação não é para ser representada por um sistema tão injusto, tão generalizado, que não valoriza as capacidades individuais de ninguém. O curso de jornalismo não me fez sentido, pois escrever é a minha paixão, por isso uma área com tanta escrita envolvida, deveria apaixonar-me nem um pouco que fosse.

Uma prática que foi frequente durante um tempo foi substituir os "furos" por uma ida à biblioteca. Não fez sentido para mim como é que duas horas sentada com um pequeno livro me fez aprender mais sobre mim mesma e o Mundo do que meses sentada num anfiteatro a ouvir um ser humano desconsolado, regurgitando palavras escritas num PowerPoint. Ainda me fez menos sentido ouvir todas as pessoas que fizeram todo esse longo trajeto da faculdade me dizerem que sempre foi um sacrifício, e sempre foi complicado.

Vale a pena? Será que mostrar que se é digno de um diploma nos vai fazer aprender sobre o que realmente importa? Será que a resposta para o nosso caminho está num sistema de educação que nos é imposto e é igual para toda a gente?

Eu digo que não. Aprendi a dizer não da maneira certa há pouco tempo. O não serve para descobrir o sim. O conhecimento mais valioso é aquele que encontramos em nós mesmos. Só nós podemos avaliar o que é melhor para nós, mas essa escolha tem de ser feita à base da nossa convicção, daquilo que nos apaixona, daquilo que nos chama. O que é que te chama?

Cláudia

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